CASO 1 — SOBRA DE ARGAMASSA (422 m³/trimestre, 34% do Pareto)
Evidência observada: no pavimento 6, 14 masseiras de argamassa (≈ 1,1 m³) endureceram e foram descartadas num único dia.
Por quê 1
A argamassa preparada superou em muito o consumo real da frente no dia.
Por quê 2
O pedido do dia foi feito pelo mestre "por estimativa" (regra de sacos por pavimento), sem quantitativo.
Por quê 3
Não existe quantitativo de argamassa por parede/pano disponível na frente de serviço.
Por quê 4
O projeto executivo não desce ao nível de paginação de alvenaria e revestimento.
Por quê 5
O fluxo de pedido de Suprimentos nunca exigiu vínculo com quantitativo de projeto — a estimativa sempre foi aceita.
Causa-raiz 1: pedido de argamassa/concreto por estimativa, sem vínculo com quantitativo de paginação — a sobra endurece e vira entulho.
CASO 2 — RECORTE DE CERÂMICA (335 m³/trimestre, 27% do Pareto)
Evidência observada: no pavimento 7, a contagem de 240 peças cerâmicas mostrou que 22% viraram recorte sem aproveitamento.
Por quê 1
Os assentadores cortam muitas peças ao chegar nos cantos e arremates dos ambientes.
Por quê 2
O assentamento começa por um canto qualquer, sem plano de partida definido.
Por quê 3
Não há plano de paginação de cerâmica indicando partida, recortes e aproveitamento por ambiente.
Por quê 4
A paginação nunca foi contratada como entrega do projeto executivo de acabamento.
Por quê 5
A construtora historicamente trata corte de cerâmica como "custo inevitável da obra", sem meta.
Causa-raiz 2: corte de cerâmica sem plano de paginação — 22% das peças viram recorte sem aproveitamento.
CASO 3 — CONSUMO DE GESSO (223 m³/trimestre, 18% do Pareto)
Evidência observada: espessura de gesso medida em 60 pontos do pavimento 7: média de 9 mm contra 5 mm de projeto (+80% de consumo).
Por quê 1
O gesseiro aplica camada mais grossa do que o especificado em praticamente todas as paredes.
Por quê 2
A camada grossa "esconde" desaprumo e ondulação da alvenaria que recebe o gesso.
Por quê 3
A alvenaria é liberada para o gesso sem conferência de prumo/planicidade, e o taliscamento não é conferido.
Por quê 4
Não existe padrão de liberação entre as etapas (alvenaria → gesso) com critério objetivo.
Por quê 5
O empreiteiro de gesso é pago por m² aplicado — engrossar a camada não custa para ele, custa para a obra.
Causa-raiz 3: gesso aplicado acima da espessura de projeto (9 mm vs 5 mm) por falta de taliscamento conferido e de liberação da alvenaria no prumo.
Conclusão: as três causas-raiz são falhas de projeto, método e fluxo de pedido — não de desperdício
individual das equipes. Juntas explicam 79% do volume do Pareto (980 de 1.240 m³) e alimentaram diretamente
as soluções da fase Melhorar.