11,6% das ~3.000 portas de pavimento produzidas por mês nas 3 linhas voltavam para retrabalho antes da expedição (~348/mês a R$ 118 cada, ~R$ 41 mil/mês) — baseline de 8 meses (jul/25–fev/26) entre 11,2% e 12,1%. Efeito em cascata: 6,2% dos kits de obra com pendência, com multas e fretes de ~R$ 360 mil em 2025.
Meta: reduzir o retrabalho de 11,6% para 5% até 31/08/2026 (queda de 57%), sem reduzir o ritmo, sem posto extra de inspeção e com orçamento de R$ 60 mil.
Folha de verificação do trimestre dez/25–fev/26 (1.045 portas retrabalhadas), estratificada por linha, turno e defeito: dano de pintura na movimentação (342, 33%), folga porta×batente fora de ±1,5 mm (289, 28%) e respingo/porosidade de solda (187, 18%) = 78%. Turno 3 com 2,4× mais respingo; folga concentrada na linha 2.
Observação no Genba (18–20/05) com medição direta e fotos: auditoria de 40 portas riscadas, medição de 60 conjuntos porta×batente e registro dos parâmetros reais de solda. Problema focalizado: os 3 defeitos vitais (818 portas).
Hipóteses testadas com medição. Descartadas: “oleosidade variável das chapas” (sem correlação por lote; oxidação = só 12% dos casos) e “culpa do soldador do turno 3” (o registro achou 14 combinações de corrente e tensão para a mesma chapa nos 3 turnos — faltava padrão, não competência).
Causas fundamentais comprovadas (78% do Pareto): berços metálicos sem revestimento (85% das portas riscadas com marca no ponto de contato), gabarito de solda com desgaste sem verificação (folga média 2,3 mm contra ±1,5 mm; desgaste de 1,1 mm na linha 2) e ausência de tabela de parâmetros de solda por espessura.
| Contramedida (bloqueio da causa) | Quem | Quando |
|---|---|---|
| Berços revestidos (polietileno/feltro) + racks dedicados | Jonas + Luciana | até 05/06 |
| Calibre passa-não-passa + verificação semanal dos gabaritos | Luciana Voigt | até 05/06 |
| Tabela padrão de parâmetros de solda + treinar os 3 turnos | André Boaventura | até 08/06 |
| Apontamento por linha, turno e tipo no MES | Débora Martins | até 08/06 |
Treinamento antes da virada: 3 turnos treinados na tabela de solda, rota de movimentação e apontamento, com presença assinada e rodada extra no turno 3. Piloto na linha 2 (08/06–10/07): semanas de 5,5 → 5,2 → 5,4 → 4,9 → 5,1%, média 5,4% (critério: 6,0%).
Desvio tratado: o feltro dos berços soltava na quina — fixação trocada de colagem para rebite na 1ª semana, sem custo relevante. Extensão às linhas 1 e 3 entre 13 e 24/07. Custo: R$ 54.400 dos R$ 60 mil (AGVs adiados; inspeção 100% descartada por atacar o sintoma).
| Item de controle (indicador) | Antes | Depois | Meta | Meta atingida? |
|---|---|---|---|---|
| Retrabalho antes da expedição (%) | 11,6 | 4,8 | ≤ 5,0 | SIM (−59%) |
| Kits de obra com pendência (%) | 6,2 | 1,9 | ≤ 2,0 | SIM |
Bloqueio efetivo: a queda veio já na 1ª semana e exatamente nas 3 categorias bloqueadas (78% do Pareto). Nas 12 semanas S24–S35 o indicador ficou entre 4,2% e 5,5%, últimos pontos em 4,2–4,5% — nenhuma recorrência perto dos 11%, sem retorno à etapa 2. Ganho: ~R$ 540 mil/ano (R$ 289 mil de retrabalho + R$ 250 mil de multas/fretes), payback de 1,3 mês; ritmo de ~3.000 portas/mês mantido.
Quatro POPs criados/revisados entre 13 e 31/07: movimentação pós-pintura (racks, rota, checklist de liberação), verificação semanal dos gabaritos com calibre passa-não-passa (incluídos no plano de calibração), solda com tabela afixada nas cabines e apontamento estratificado no MES. OJT nos 3 turnos com registro assinado.
Item de controle: retrabalho semanal em carta de controle (LC 4,8% · LSC 6,9% · LIC 2,7%), estratificado por linha/turno/defeito, na gestão à vista; vigilância das causas (gabarito ≤0,3 mm, ≥95% das soldas na tabela, 100% em rack, kits ≤2%). Contenção em 24h acima do limite. Dona desde 31/08/2026: Patrícia Werner (Ger. Produção).
Remanescentes: oxidação/contaminação pré-pintura (121 portas no trimestre) e furação fora de posição (76) — alvos do próximo giro. Replicação: portas de cabina (set/26), México (out/26), Portugal (1º tri/27).
Lições: ferramental de produção exige rotina de verificação como instrumento de medição; movimentação interna é etapa crítica de qualidade. E a causa que todos “sabiam” — o soldador do turno 3 — caiu na medição. Relatório arquivado no book global de melhoria contínua da Vertelli.
A análise inocentou pessoas com dados: o “vilão” apontado pela fábrica (turno 3) era vítima da ausência de tabela de parâmetros — 14 combinações para a mesma chapa. O bloqueio atacou equipamento e método, e a mesma régua confirmou 11,6% → 4,8% sem recorrência em 12 semanas.