A perda atacada é a geração de resíduos da torre 2 (14.500 m², 20 meses): 0,182 m³/m² contra boa prática de 0,12 — 1.240 m³ descartados por trimestre. No mapa das 16 grandes perdas aplicado ao canteiro ela é uma perda de recursos (material comprado que vira resíduo + energia e transporte da destinação), a maior fatia do mapa e a maior ameaça ao Compromisso ESG 2028 do grupo (reduzir 30% o resíduo por m²).
Valorização em R$ com a régua corrigida ANTES da baseline: os romaneios divergiam 18% do volume real, então padronizamos o enchimento das caçambas e a conferência fotográfica. Memória de cálculo: 1.240 m³/trimestre × R$ 96/m³ ≈ R$ 476 mil/ano em caçamba, transporte e destinação + o material comprado que virava entulho ≈ R$ 500 mil/ano — perda total ≈ R$ 980 mil por ano, validada com o Financeiro da incorporadora. Sem essa memória de cálculo o entulho continuaria sendo "sujeira", não perda.
A régua do pilar SHE, não OEE: em canteiro a perda de recurso se mede em m³ de resíduo por m² construído, decomposta por categoria. Partida: 0,182 m³/m² (34% argamassa, 27% cerâmica, 18% gesso), índice de destinação com CTR em 71% e 9 near misses por trimestre no manuseio de entulho e nas rotas de caçamba. A perda bate no rendimento de material — de cada 100 kg comprados de argamassa e gesso, parte saía pela caçamba antes de virar obra.
Estratifiquei os 1.240 m³ por categoria, processo gerador e pavimento (apontamento criado pelo projeto): argamassa/concreto 422 m³ (34%), cerâmica/alvenaria 335 m³ (27%) e gesso 223 m³ (18%) somam 79% do volume no Pareto perda-custo, com madeira de forma em 149 m³ e "outros" em 111 m³. O desperdício se repetia igual em todos os pavimentos e equipes — sinal de método errado, não de gente errada.
Tema proporcional: três causas de método, comprováveis por medição direta no canteiro, sem estatística pesada nem CAPEX de outra área — atacáveis pelo time da obra no ciclo dos pavimentos 8 a 10 e dentro da autoridade da equipe (obra + suprimentos + qualidade). A usina de reciclagem no local, que dependia de investimento e decisão corporativa, ficou fora do escopo e voltou para o mapa de perdas.
Priorização fechada pelo B/C: benefício estimado de R$ 600 mil/ano (bloquear ~2/3 do desperdício das 3 categorias) ÷ custo estimado de R$ 70 mil (R$ 45 mil de orçamento + horas da equipe) = B/C 8,6 — 1º do Pareto perda-custo do canteiro, à frente da usina de reciclagem no local (B/C 1,8, capex alto).
Tema: reduzir a geração da torre 2 de 0,182 para 0,13 m³/m² (−28%) até 31/07/2026, sem atrasar o cronograma de 20 meses. KPI: m³/m² semanal por romaneio com conferência fotográfica. KAI: % de pedidos por quantitativo, sobra de argamassa por pavimento, aderência ao CIL do silo e taxa de segregação nas baias.
Pilar âncora: SHE — Segurança, Saúde e Meio Ambiente (zero poluição). O projeto exercita do SHE o mapeamento e a valorização da perda ambiental, a correção da régua de medição, o mapa de riscos das rotas de entulho e o tratamento de near miss. Interfaces: FI (o motor do ciclo Kobetsu Kaizen: estratificação, teste de hipóteses, Why-Why) e E&T (LPP/OJT das equipes de vedação e revestimento e renegociação dos contratos de empreiteiros com meta de resíduo).
Líder: engenheira da Qualidade e Meio Ambiente da obra. Equipe: mestre de obras, analista de Suprimentos e engenheira de planejamento. Patrocinador: gerente do contrato — dono do pilar SHE no canteiro —, com R$ 45 mil aprovados e o Compromisso ESG 2028 como diretriz. Cronograma: P até 30/04, D (piloto pavimentos 8–10) até 12/06, C até 10/07, A até 31/07 — revisão semanal no quadro do pilar.
Restauração da condição básica antes de analisar: limpeza inicial das frentes e das áreas de apoio com o próprio time — e a limpeza virou inspeção. Foram abertas 34 etiquetas de anomalia: 23 azuis, resolvidas pela equipe da obra (baias de segregação sem identificação, sobra de argamassa endurecida acumulada nas prumadas, caçamba sem cobertura, rota de carrinho obstruída) e 11 vermelhas para manutenção/engenharia (silo sem manômetro, bica de descarga com vazamento, serra de bancada sem coleta). Com a área limpa, a perda ficou visível e mensurável: no pavimento 6, 14 masseiras (~1,1 m³) endurecidas num único dia porque o pedido superava o quantitativo real; no pavimento 7, de 240 peças de cerâmica medidas, 22% viravam recorte sem aproveitamento por corte iniciado no canto, sem plano; e em 60 pontos medidos, o gesso passava da espessura de projeto. O que 8 meses de romaneio não mostravam, a limpeza inicial mostrou em dois dias.
Ishikawa 4M no workshop com mestres e empreiteiros (08/04): pedido por estimativa (Método), corte sem paginação (Método), gesso sem controle de espessura (Método), argamassa que endurece pós-preparo (Material), equipes sem treino (Mão de obra) e empreiteiro pago por produção sem meta de resíduo (Gestão). Testes com dados: "indisciplina das equipes" DESCARTADA — o desperdício se repetia igual nas equipes mais experientes (o padrão é que estava errado); "traço fora do especificado" DESCARTADA — a conferência mostrou traço correto. Confirmadas por medição pós-restauração: as três causas de método.
Why-Why fechado em três cadeias: (1) argamassa sobra → pedido por estimativa do mestre → não há quantitativo por pavimento → a paginação não chega ao pedido → o fluxo de suprimentos nunca exigiu quantitativo (causa raiz 1); (2) cerâmica vira recorte → corte começa no canto → não existe plano de paginação executiva → a paginação nunca foi entregue como documento de execução (causa raiz 2); (3) gesso consome além do previsto → aplicação sem referência → não há taliscamento nem conferência de espessura → o padrão de aplicação nunca definiu o critério de aceite (causa raiz 3). As três explicam os 79% do Pareto, com evidência de medição em campo depois da condição básica restaurada.
| Contramedida (causa que bloqueia) | Quem | Quando | Status |
|---|---|---|---|
| Argamassa estabilizada de 36 h dosada em central, com pedido por quantitativo de paginação (bloqueia o pedido por estimativa — causa 1) | Suprimentos + mestre de obras | 04/05 | feito |
| Paginação executiva de alvenaria e cerâmica no projeto (bloqueia o corte sem plano — causa 2) | engenharia de planejamento | 04/05 | feito |
| Taliscamento e conferência de espessura do gesso (bloqueia a sobre-espessura — causa 3) | mestre de obras | no piloto | feito |
| CIL diário do silo e da serra de bancada com coleta (fecha as etiquetas vermelhas da condição básica) | equipe da obra + manutenção | 04/05 | feito |
| Kits por pavimento com caçamba dedicada e apontamento (dá rastreabilidade ao KPI) | analista de Suprimentos | 04/05 | feito |
| Meta de resíduo nos contratos dos empreiteiros (alinha o incentivo econômico ao padrão) | gerente do contrato | 12/06 | feito |
Treinamento e desvios. Foram 7 contramedidas no 5W2H, por R$ 38,2 mil dos R$ 45 mil aprovados. Treinamento ANTES de virar a chave: equipes de vedação e revestimento treinadas no pedido por quantitativo, na paginação e no taliscamento, com registro de presença assinado — e mestres e empreiteiros já eram co-autores das causas desde o workshop de 08/04, o que derrubou a resistência; 3 LPPs (taliscamento do gesso, pedido por quantitativo e CIL do silo) fixadas no ponto de uso de cada pavimento, com OJT registrado. O piloto rodou nos pavimentos 8 a 10 (04/05 a 12/06) com critério de sucesso ≤ 0,135 m³/m² e fechou em 0,128. Dois desvios tratados: o controle de espessura do gesso só podia entrar quando a alvenaria de cada pavimento fosse liberada no prumo — reordenado na sequência natural da obra; e a meta de resíduo nos contratos exigiu renegociação com os empreiteiros, entrando ao longo do piloto. Ambos registrados no diário de obra, sem comprometer o bloqueio; a régua corrigida está documentada — qualquer auditoria refaz o cálculo do zero.
| Indicador (KPI / KAI) | Antes | Depois | Meta | Meta atingida? |
|---|---|---|---|---|
| Geração de resíduos — consolidado S19–S30 (m³/m²) | 0,182 | 0,125 | 0,13 | SIM (−31%) |
| Geração no piloto — pavimentos 8–10 (m³/m²) | 0,182 | 0,128 | ≤ 0,135 | SIM |
| Índice de destinação com CTR (%) | 71 | 96 | elevar | SIM |
| Near miss no manuseio de entulho (por trimestre) | 9 | 2 | reduzir | SIM |
| KAI: pedidos por quantitativo (%) / sobra de argamassa (m³/pav.) | — | 100 / ≤ 0,3 | 100 / ≤ 0,3 | SIM |
| KAI: CIL do silo cumprido (% dos dias) / segregação nas baias (%) | — | 98 / ≥ 90 | ≥ 90 | SIM |
Ganho e B/C real. Antes × depois na mesma régua e no mesmo formato de gráfico: m³/m² por romaneio com conferência fotográfica. Nas 12 semanas entre o piloto e a entrega do processo (S19–S30) a geração ficou entre 0,121 e 0,133 m³/m², consolidando 0,125 — queda de 31% contra meta de 28%, últimos pontos em 0,121–0,122 e nenhuma semana de retorno ao patamar de 0,182, atravessando trocas de equipe entre pavimentos. Ganho validado com o Financeiro na MESMA régua da valorização: R$ 461 mil/ano em material que deixou de virar entulho + R$ 149 mil/ano em caçamba, transporte e destinação evitados (~1.550 m³/ano a R$ 96/m³) ≈ R$ 610 mil por ano. Custo total: R$ 70 mil (R$ 38,2 mil executados + horas da equipe) → B/C real 8,7, com auditoria do Financeiro em jan/2027. Efeitos secundários: cronograma de 20 meses mantido e zero retrabalho de qualidade nos revestimentos (os dois riscos do charter); nenhum efeito negativo em segurança do trabalho. Se a geração voltasse a subir, o caminho seria refazer a inspeção da frente por categoria e reabrir o Why-Why — o apontamento por pavimento mostra onde reobservar.
Quatro padrões no Plano da Qualidade da Obra, com número, versão e data: SOP do pedido por quantitativo de paginação (o pedido por estimativa foi bloqueado no próprio fluxo de Suprimentos — não dá mais para pedir sem quantitativo), SOP da argamassa estabilizada em silo (validade 36 h), SOP de taliscamento e conferência de gesso (≤ 6 mm sobre o projeto) e SOP do kit por pavimento com caçamba dedicada e apontamento. Junto vieram o CIL-SIL-003 v1 (limpeza, inspeção e lubrificação diária do silo e da serra com coleta) e as 3 LPPs publicadas no ponto de uso. OJT com lista assinada arquivada na Qualidade da obra para todas as equipes de vedação e revestimento; equipe nova só assume pavimento após o treinamento nos 4 padrões e no CIL — os padrões entraram na matriz de habilidades e no roteiro de integração (interface E&T), e os empreiteiros assinaram contratos renegociados já com meta de resíduo.
Pillar board do SHE no quadro da obra: m³/m² semanal em carta de controle (linha central 0,127, limites 0,145 e 0,110), estratificado por categoria, com os KAIs — 100% dos pedidos por quantitativo, sobra de argamassa ≤ 0,3 m³/pavimento, gesso ≤ 6 mm, CIL do silo cumprido, segregação ≥ 90% e etiquetas de anomalia fechadas em até 7 dias. Plano de reação com 4 gatilhos: ponto acima de 0,145 dispara verificação da categoria no dia; 2 semanas subindo, nova inspeção da frente; near miss no manuseio de entulho é tratado em 24 h; dona do processo: engenheira da Qualidade e Meio Ambiente.
Expansão horizontal contratada, não prometida: a torre 3 do Vista Serra nasce com paginação executiva, silo de argamassa estabilizada, CIL e kits por pavimento (início set/2026), e a obra Parque das Águas replica o pacote completo no 1º trimestre de 2027 — benefício adicional estimado de R$ 540 mil/ano nas duas frentes. Os padrões foram versionados no Plano da Qualidade corporativo para valerem em qualquer obra do grupo, com os mestres do piloto como multiplicadores.
Lições: quantitativo de projeto no pedido, paginar antes de executar e medir o resíduo por pavimento — três práticas simples que valem para qualquer obra; a limpeza inicial mostrou em dois dias o que 8 meses de romaneio não mostravam; e a maior lição de método: corrigir a régua ANTES da baseline (18% de divergência) foi o que deu credibilidade ao ganho — régua furada invalida projeto inteiro. Remanescentes no mapa de perdas do canteiro: madeira de forma (149 m³, 12%) — próximo ataque já recomendado — e a categoria "outros" (9%). Folha de Kobetsu Kaizen arquivada no acervo do pilar SHE e apresentada no comitê ESG do grupo.
Ancorado no pilar SHE (Segurança, Saúde e Meio Ambiente), o projeto de zero poluição tratou o entulho como o TPM manda: perda de recurso identificada no mapa das 16 grandes perdas do canteiro e valorizada em dinheiro — R$ 980 mil anuais entre material comprado que virava resíduo e o custo de destinação. A restauração da condição básica das frentes (a limpeza inicial virou inspeção e abriu 34 etiquetas de anomalia) e o Why-Why sobre três causas de método comprovadas por medição — pedido de argamassa por estimativa, corte de cerâmica sem paginação e gesso acima da espessura — derrubaram a hipótese de "indisciplina" e bloquearam a perda na origem: a geração da torre 2 caiu de 0,182 para 0,125 m³/m² (−31%), superando a meta de 0,13 sem nenhum retorno ao patamar antigo. O ganho validado com o Financeiro na mesma régua da valorização é de cerca de R$ 610 mil/ano, contra custo total de R$ 70 mil — B/C real de 8,7 — além do avanço rumo ao Compromisso ESG 2028 do grupo. A expansão horizontal já está contratada: a torre 3 e a obra Parque das Águas nascem com os padrões do projeto. (projeto ilustrativo)