A Matriz A do ciclo financeiro de obras mapeou as perdas — glosas de medição, retrabalho de faturamento, atraso de recebimento, multas contratuais. A perda atacada é a glosa: 14,2% das ~130 medições mensais (tíquete médio de R$ 210 mil, ~R$ 27,3 milhões/mês faturados) voltavam com apontamento, empurrando ~R$ 3,9 milhões/mês pro ciclo de reapresentação de 23 dias.
A Matriz C valorizou a perda com a Controladoria: R$ 240 mil/ano de custo financeiro do recebimento adiado (~R$ 3,9 milhões × 23 dias × custo de capital) + R$ 100 mil/ano de retrabalho das equipes de engenharia, contratos e faturamento = R$ 340 mil/ano, com memória de cálculo registrada. A régua foi validada antes do projeto começar — é ela que mede o saving na Matriz F.
A estratificação do trimestre nov/25–jan/26 (111 apontamentos em 55 medições) deu endereço à perda: 62% das medições glosadas em contratos com aditivo em andamento e 70% montadas nos últimos 3 dias úteis do fechamento. O Pareto por motivo: quantitativo divergente da memória de cálculo (40 apontamentos, 36%), documentação incompleta (31, 28%), item sem aditivo formalizado (19, 17%), impostos/retenções (12) e outros (9).
A Matriz D indicou Major Kaizen: perda crônica (8 meses de baseline estável), multicausal (três causas de método) e atravessando quatro áreas — pedia equipe multifuncional e os 7 passos completos, não um Quick. Não exigia modelagem estatística (não é Advanced): as causas se provavam com estratificação e teste no processo. Pilar de ataque: FI, com as ferramentas clássicas de análise de perda transacional.
Na Matriz E, benefício estimado de R$ 326 mil/ano (96% da perda, atacando 81% dos apontamentos) contra custo estimado de R$ 25 mil (parametrizações, checklist digital e horas da equipe): B/C estimado de 13 — primeiro da carteira do Financeiro, à frente do projeto de impostos/retenções (B/C 2,2), que ficou como remanescente.
Tema: reduzir a taxa de medições glosadas no faturamento de obras B2B. Meta: de 14,2% para 6% (queda de 58%) até 31/07/2026, sem renegociar contratos nem mudar o calendário de faturamento. KPI: % de medições glosadas (censo de 100%) e PMR da carteira; KAI: adesão ao checklist por contratante, % de medições com dupla conferência e % enviadas até o dia 25.
Pilar âncora: Focused Improvement — o projeto exercita o ataque completo a uma perda transacional priorizada pelo CD: estratificação, teste de hipóteses com dados, contramedidas na fonte e saving validado. Interfaces: Desenvolvimento de Pessoas (treinamento dos apontadores no critério de medição) e Controle de Qualidade (a medição tratada como produto com requisitos por cliente — quantitativo, documentos, aditivos, impostos — conferido antes do envio).
Equipe multifuncional formalizada no charter: eu na liderança (Contas a Receber), Juliana Melo (faturamento), André Sampaio (engenharia), Luciana Prates (contratos) e o fiscal da carteira. Patrocinador: Eduardo Vilela, da Diretoria Administrativo-Financeira. Cronograma: P até 30/04, D (piloto no ciclo de maio + escala em junho) até 30/06, C até 25/07, A até 31/07 — com revisão semanal no quadro do pilar.
O 5G foi acompanhar a montagem de medições reais nos contratos-âncora 2041 e 1987: no local (Gemba), com os boletins físicos e as planilhas paralelas de cada obra (Genbutsu), cruzando com os números do ERP (Genjitsu). A observação flagrou a medição sendo montada em 1 dia, no aperto do fechamento, sem conferência contra a memória de cálculo. Antes de confiar na régua, três avaliadores classificaram 30 medições históricas e concordaram em 93% dos casos — critério validado.
O 4M do workshop de 14/04 organizou as hipóteses: Método — medição montada em 1 dia sem checklist nem dupla conferência, aditivo executado antes de formalizar; Máquina/sistema — boletim não vinculado à memória de cálculo, planilhas paralelas; Mão de obra — apontadores sem treinamento no critério; Material/informação — memória de cálculo desatualizada, documentação fora do padrão. Testes: 'apontador despreparado' caiu — a reclassificação das 55 medições mostrou o mesmo erro em todas as equipes, e os mesmos apontadores não geravam glosa quando havia conferência (método, não pessoa); 'parametrização fiscal do ERP' caiu como causa vital — impostos somavam só 11% dos apontamentos.
Três cadeias fechadas, todas de método: (1) glosa por quantitativo → medição diverge da memória de cálculo → montada por estimativa no aperto → sem dupla conferência → conferência nunca foi requisito do processo (36% dos apontamentos); (2) glosa por documentação → cada contratante exige um dossiê → não existe checklist por cliente (28%); (3) glosa por item sem contrato → aditivo executado antes de assinar → sem trava no boletim nem calendário de formalização (17%). Juntas: 81% do Pareto (90 de 111). Evidência-síntese: a medição nº 14 do contrato 2041, glosada em R$ 86 mil por quantitativo estimado.
O 5W2H fechou 7 contramedidas por R$ 12.400, cada uma travando uma causa comprovada: checklist digital de medição por contratante (bloqueia a documentação incompleta), dupla conferência contra a memória de cálculo — 100% nos contratos-âncora, 30% amostral nos demais (bloqueia o quantitativo divergente), calendário de formalização de aditivos com trava no boletim (impede item sem aditivo assinado) e janela de fechamento antecipada com envio até o dia 25 (elimina a montagem no aperto).
O kaizen rodou no piloto do ciclo de maio nos contratos 2041 e 1987 e foi escalado aos 34 contratos em junho, após validação com o patrocinador em 05/06. Ferramentas do pilar FI aplicadas: estratificação viva no painel do ERP, contramedida na fonte (trava de sistema em vez de conferência a posteriori) e gestão por B/C — a decisão de escalar citou o piloto dentro do critério e o custo 17% abaixo do orçado.
Antes do piloto, os engenheiros e apontadores das obras B2B foram treinados no checklist, no critério de medição e na dupla conferência — OJT obra a obra com lista de presença arquivada. Contratos, fiscal e faturamento foram comunicados formalmente sobre a trava de aditivos e a janela antecipada. Ninguém operou o padrão novo sem treinamento registrado.
Um desvio registrado: as primeiras duplas conferências mostraram dúvidas dos apontadores sobre o critério de medição de cada contrato — tratado na hora com reforço de treinamento no local, obra a obra, antes de escalar. As demais ações seguiram o plano sem mudança de escopo, prazo ou orçamento.
Na mesma régua do baseline — censo de 100% das medições, mesmo critério: a taxa de glosas saiu de 14,2% (média de 8 meses) para 6,8% no piloto e 5,9% no consolidado, com as 12 semanas S19–S30 entre 4,8% e 7,0% e as últimas 4 abaixo de 5,6%. KAIs juntos: adesão de 100% ao checklist, dupla conferência rodando e 80% das medições até o dia 25 — a atividade explica o resultado.
O saving foi validado na régua da Matriz C e lançado na Matriz F: R$ 225 mil/ano de custo financeiro evitado + R$ 95 mil/ano de retrabalho das 3 equipes = R$ 320 mil/ano (94% da perda valorizada), com auditoria formal da Controladoria agendada pra jan/2027. Custo total realizado: R$ 28 mil (R$ 12.400 de contramedidas + horas da equipe multifuncional). B/C real = 12,1, na faixa do 13 estimado na Matriz E.
O resultado sustentou: nenhuma das 12 semanas voltou sequer perto dos 14,2%, e a queda veio exatamente dos motivos bloqueados — quantitativo, documentação e aditivos —, o que amarra o ganho às contramedidas e não a sazonalidade. Se o indicador tivesse recuado, o caminho seria voltar ao Genba e reanalisar a causa — não empilhar mais conferência.
Efeitos secundários positivos ou neutros: o calendário de faturamento foi mantido, o envio até o dia 25 cumprido e o retrabalho das 3 equipes caiu junto (já contado na Matriz F). Nenhum impacto em compliance fiscal — os impostos/retenções, aliás, seguem como perda residual do Pareto (12 apontamentos), candidatos ao próximo giro.
Quatro padrões publicados em 10/07/2026, com número, versão e data: SOP de montagem de medição com checklist digital por contratante, SOP de dupla conferência contra a memória de cálculo (100% nos âncora, 30% amostral nos demais), SOP do fluxo formal de aditivos com trava no boletim e o calendário de fechamento antecipado. Na essência: a medição, antes montada em 1 dia sem conferência, passou a ser conferida contra requisitos por cliente antes do envio — o bloqueio da causa virou rotina escrita.
O pillar board do Financeiro acompanha a taxa semanal de glosas em carta de controle (linha central 5,9%, limites 8,4% e 3,4%) com os KAIs por ciclo: 100% de adesão ao checklist, dupla conferência executada, zero item sem aditivo formalizado e 80% das medições até o dia 25. Plano de reação com 4 gatilhos: semana acima de 8,4% aciona contenção em 48 horas; 7 semanas acima de 5,9% disparam diagnóstico; glosa em contrato-âncora exige tratativa no mesmo dia; item fora do padrão bloqueia o envio. Dona do processo desde 31/07: Patrícia Fonseca, com revisão mensal nos 3 primeiros meses.
Expansão horizontal em andamento: o formato completo (checklist por cliente, dupla conferência, trava de aditivos, calendário) foi apresentado ao braço Altavia Hotéis pros contratos de reforma, que sofrem do mesmo padrão de glosa — benefício adicional estimado de R$ 90 mil/ano. Os multiplicadores são os próprios apontadores dos contratos-âncora, que rodaram o piloto.
Lições: a medição é um produto com requisitos por cliente — conferido antes do envio, não depois da glosa; e a hipótese em que todos apostavam (apontador despreparado) caiu no teste dos 111 apontamentos — se tivéssemos agido pela opinião, teríamos treinado o alvo errado e mantido a causa viva. Remanescentes na Matriz C: impostos/retenções (12 apontamentos) e outros (9) — próximo ataque indicado pelo CD. Major Kaizen arquivado no acervo do pilar FI, com auditoria do saving em jan/2027.
Ancorado no pilar de Focused Improvement, o Major Kaizen atacou a perda que a Matriz C valorizou em R$ 340 mil anuais — custo financeiro das glosas e retrabalho de 3 equipes — e que o Pareto dos 111 apontamentos priorizou pelo B/C de 12,1 na Matriz E. Com o checklist por contratante, a dupla conferência contra a memória de cálculo e a trava de aditivos, a taxa de medições glosadas caiu de 14,2% para 5,9% consolidado (meta: 6%), o PMR recuou de 61 para 52 dias e o saving de R$ 320 mil/ano foi lançado na Matriz F, com auditoria da Controladoria agendada — contra um custo total de R$ 28 mil. A expansão horizontal já levou o formato aos contratos de reforma do braço Altavia Hotéis. (projeto ilustrativo)