A Matriz A do CD mapeou as perdas por processo: erro de separação, avaria de manuseio, ociosidade de doca, hora extra de conferência e logística reversa. A perda atacada é o erro de picking — 2,8% dos 48 mil pedidos/mês (~1.340 pedidos errados), mais de 3 vezes a referência interna de 0,8%, puxando OTIF de 91% e 210 reclamações/mês.
Matriz C com memória de cálculo validada pelo Financeiro: frete de logística reversa, reenvio, crédito ao cliente e horas de tratativa — R$ 74 mil/mês → R$ 888 mil/ano. É a maior perda do CD e a régua que mede o ganho no fim; as reclamações e o OTIF entram como indicadores de apoio.
Estratificação censitária (100% dos ~2.200 pedidos/dia na folha de verificação): 58% dos erros em itens fracionados, 47% no turno noturno; por modo de falha, item trocado 43,1% e quantidade divergente 30,0% — 73,1% somados. O Pareto definiu o alvo: fracionados, com foco nos dois modos dominantes.
Matriz D: perda crônica de alto volume, multicausal (sistema + método + organização física), pedindo equipe multifuncional e teste controlado — Major Kaizen no pilar LOG. Advanced seria desproporcional (as causas se provam com teste direto no processo, sem estatística pesada); Quick não daria conta de 7 contramedidas atravessando WMS, layout e 3 turnos.
Matriz E: benefício estimado de R$ 576 mil/ano (erro de 2,8% → 1,0% em escala) contra custo estimado de R$ 48 mil (R$ 27,4 mil de contramedidas + horas de equipe e treinamento): B/C estimado de 12,0 — primeiro da carteira do CD, à frente da automação de conferência por esteira (B/C 2,1, investimento pesado).
Tema: reduzir o erro de separação de pedidos no CD SP. Meta: de 2,8% para 1,0% até 11/12/2026, medido na mesma folha de verificação censitária consolidada em carta semanal. KPI: % de pedidos com erro e OTIF (≥96%). KAI: % de pedidos com scan executado, % com confirmação de quantidade e auditorias em camadas realizadas.
Pilar âncora: Logística & Atendimento ao Cliente — o projeto exercita a qualidade da separação como condição do nível de serviço (OTIF), a organização de endereços e o abastecimento correto na primeira vez. Interfaces: PD (habilidade e disciplina operacional dos separadores — TWTTP aplicado nos desvios do noturno) e QC (conferência cega como barreira de detecção enquanto a fonte não segura sozinha).
Equipe: eu como líder de operação do CD, um analista de WMS, o supervisor do turno noturno, um conferente e um separador experiente. Patrocinador: gerente de logística, dono do pilar LOG na rede. Cronograma: P até 16/10, D em piloto nas ruas 5–9 de 19/10 a 20/11, C até 05/12, A até 11/12 — rito diário de 10 minutos no quadro durante o piloto.
O 5G no Genba entregou o projeto: acompanhando a separação real, vimos o scan de confirmação desativado 'pra ganhar tempo' e, no WMS (genbutsu), a trava de quantidade desparametrizada havia 3 anos — invisível em qualquer relatório. Também flagramos itens similares em endereços vizinhos induzindo a troca. Fotos, prints do WMS e o registro dos testes anexados.
Ishikawa 4M: Máquina/sistema (scan off, trava dormente), Método (endereçamento de similares, conferência amostral), Mão de obra (rotatividade, disciplina no noturno) e Material (embalagens parecidas de fracionados). Testes no processo: reativar o scan na rua 7 → erro de 4,1% pra 1,2% (confirma); trava de quantidade no turno 3 → −61% de divergências (confirma); estratificação por tempo de casa → erro igual entre novatos e veteranos (descarta rotatividade). Descartadas documentadas.
Cadeia 1: item trocado → separador não confirma o item → scan desativado → desativado 'pra ganhar tempo' sem avaliação de risco → alteração de parametrização do WMS sem controle (causa raiz 1). Cadeia 2: quantidade divergente → sem confirmação de quantidade → trava desparametrizada há 3 anos → nenhuma rotina revisa parametrizações críticas (causa raiz 2). As duas explicam os 73,1% do Pareto e a concentração em fracionados — teste de consistência fechado.
O 5W2H fechou com 7 contramedidas amarradas às causas: reativação do scan obrigatório (causa 1) e da confirmação de quantidade (causa 2) no WMS — custo zero; controle formal de alteração de parametrização (causa 1); rotina trimestral de revisão de parametrizações críticas (causa 2); reorganização de endereços com identificação por cor (similares); conferência cega como detecção; e treinamento dos 3 turnos. Total orçado: R$ 27,4 mil.
Piloto nas ruas 5–9 de 19/10 a 20/11: travas reativadas em 19/10 (prints do WMS anexados), endereços reorganizados e etiquetas de cor instaladas em 21–23/10, conferência cega rodando desde 26/10 e o quadro diário de erro por turno desde o primeiro dia. As ferramentas do pilar conduziram: qualidade na fonte da separação, organização física do endereço e gestão à vista da operação — com critério de sucesso pactuado antes (erro ≤1,0% por 4 semanas, produtividade −3% no máximo).
Treinamento antes da virada: todos os separadores e conferentes dos 3 turnos passaram por OJT nos padrões atualizados (scan, confirmação de quantidade, endereçamento por cor e conferência cega) entre 14 e 17/10, com presença assinada e OPLs publicadas nas ruas do piloto. O comercial e o SAC foram comunicados do piloto pra leitura correta das reclamações no período.
Desvio registrado: na segunda semana, separadores do noturno pulavam a confirmação de quantidade nos picos. Tratamos no Genba com TWTTP (entrevista estruturada: por que pula? — a tela extra parecia redundante) e reforço de OJT no posto, sem punição; incidência zerou na semana seguinte. Ajuste físico: etiquetas de cor plastificadas após desgaste no manuseio (registro em ata).
KPI na mesma régua censitária: erro nas ruas do piloto de 4,1% → 1,3% na terceira semana, sustentado até o fim; produtividade −1,8% (limite pactuado: −3%). KAI: 99,6% dos pedidos com scan e 99,2% com confirmação de quantidade — a queda veio exatamente das barreiras reativadas, e o OTIF do recorte do piloto subiu de 91% para 95,8%.
Saving na Matriz F, na MESMA régua da Matriz C e validado com o Financeiro: em escala, erro de 2,8% → 1,0% projeta R$ 48 mil/mês recuperados ≈ R$ 576 mil/ano, mais a queda das reclamações de 210 pra ~75/mês. Custo total realizado: R$ 48 mil (R$ 27,4 mil de contramedidas + horas e treinamento). B/C real = 12,0.
Quatro semanas de piloto com o erro estabilizado abaixo de 1,5% e sem re-subida dos dois modos atacados — inclusive nos picos de fim de mês, o evento crítico da operação. A sustentação em escala se prova na expansão (iniciada em 23/11): se o patamar regredir com o volume total, voltamos ao 5G do fluxo — foi assim que as causas apareceram da primeira vez.
Efeitos secundários checados: a produtividade caiu só 1,8% (o scan custa segundos, o erro custava horas de reversa) e a hora extra de conferência recuou junto — entra como ganho adicional na Matriz F. Nenhum efeito em segurança nem em avaria; o SAC registrou a primeira semana sem reclamação de item trocado em 3 anos.
Padrões publicados com número, versão e data: SOP-LOG-014 v3 (picking de fracionados com scan e confirmação de quantidade obrigatórios), SOP-LOG-021 v1 (conferência cega) e IT-LOG-007 v2 (endereçamento com identificação por cor e regra de separação de similares). As travas do WMS viraram configuração-padrão documentada, alterável só com aprovação formal da gerência.
Pillar board do CD: carta semanal do erro (limite de reação 1,0%) e OTIF (≥96%), com os KAIs de scan e confirmação, auditoria em camadas (líder diária, supervisão semanal, gerência mensal) e plano de reação de 4 gatilhos — do desvio pontual na rua à revisão emergencial de parametrização. Dona do processo formalizada em 11/12/2026.
Expansão em dois passos: rollout pro CD inteiro iniciado em 23/11 (fecha em 11/12, levando o erro de 2,8% pra 1,0% em escala) e réplica da sistemática completa — travas, endereçamento por cor, conferência cega e revisão trimestral — pro CD Nordeste em fev/2027, com benefício adicional estimado de R$ 310 mil/ano já lançado na Matriz E da rede. Multiplicadores: o supervisor do noturno e o conferente do piloto.
Lições: parametrização de sistema é condição básica tão crítica quanto condição de máquina — e some dos relatórios; o teste controlado no Genba (rua 7) provou causa em uma semana, o que meses de análise de dados não fechavam; e o TWTTP resolveu o desvio do noturno sem punição, preservando o time. Remanescente: item faltante (3º do Pareto, 187 erros/mês) — recomendado como próximo kaizen. Major Kaizen arquivado no acervo do pilar LOG.
Ancorado no pilar de Logística & Atendimento ao Cliente e conduzido como Major Kaizen, o projeto atacou a maior perda do CD São Paulo na Matriz C: 2,8% dos 48 mil pedidos/mês saíam com erro de separação, valorizados em R$ 888 mil anuais. Com as causas comprovadas em teste no próprio Genba (scan desativado e trava de quantidade dormente no WMS) e bloqueadas como configuração-padrão do sistema, o erro caiu de 4,1% para 1,3% nas ruas do piloto, com produtividade preservada — e a expansão pro CD inteiro projeta erro de 1,0% e saving de R$ 576 mil/ano na Matriz F, com B/C real de 12,0. OTIF ≥ 96% e erro ≤ 1,0% seguem como itens de controle no pillar board, e a sistemática já está na fila de réplica para o CD Nordeste. (projeto ilustrativo)